segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Nasa mostra que seca de 2005 afetou área da Amazônia por anos


Um estudo da agência espacial americana (Nasa) revela que uma área da floresta amazônica com duas vezes o tamanho da Califórnia (equivalente a mais de 800 mil quilômetros quadrados) continuou sofrendo os efeitos de uma grande seca que começou em 2005. Os resultados foram publicados na revista “PNAS", da Academia Nacional de Ciências dos EUA.

A pesquisa sugere que a floresta tropical amazônica pode estar mostrando os primeiros sinais de degradação em larga escala devido à mudança climática.

Amazônia mostra sinais de degradação devido a mudanças climáticas (Foto: Divulgação/NASA/JPL-Caltech)Oito anos depois, os danos causados pela seca de 2005 ainda são visíveis (Foto: Divulgação/NASA/JPL-Caltech)

A equipe internacional de pesquisadores, liderados pela Nasa, avaliou mais de uma década de dados captados por satélite entre 2000 e 2009 sobre a Amazônia. A análise também incluiu medições da precipitação das chuvas tropicais,  do teor de umidade e da cobertura florestal.

Os resultados revelam que, durante o verão de 2005, mais de 700 mil quilômetros quadrados (70 milhões de hectares) de floresta no sudoeste da Amazônia enfrentaram uma extensa e severa seca.

A “megasseca”, como é chamada pelos pesquisadores, provocou danos generalizados à cobertura florestal, com a morte de galhos e quedas de árvores, especialmente as maiores e mais antigas, que são mais vulneráveis do que às demais por oferecem abrigo ao restante da vegetação.
Embora os níveis de precipitação tenham voltado ao normal nos anos seguintes à seca, os prejuízos continuaram durante a segunda grave seca que começou em 2010, acreditam os cientistas. Esse “golpe duplo”, afirma o artigo, sugere um efeito generalizado das mudanças climáticas nas regiões sul e oeste da Amazônia.

"Esperávamos que a cobertura da floresta se recuperasse depois de um ano com o vigor da nova vegetação, mas o dano parece persistir até a seca subsequente, em 2010", afirmou o coautor do estudo, Yadvinder Malhi, da Universidade de Oxford, no Reino Unido.
Os pesquisadores atribuem a seca de 2005 ao aquecimento das temperaturas da superfície do mar do Atlântico tropical. "O mesmo fenômeno climático que ajudou a formar os furacões Katrina e Rita, ao longo da costa dos EUA, em 2005, provavelmente também causou a grave seca no sudoeste da Amazônia", acredita Sassan Saatchi, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, em Pasadena, na Califórnia.

De acordo com ele, o estudo indica que as “megassecas” podem ter efeitos duradouros sobre as florestas tropicais. “Nossos resultados sugerem que, se as secas continuam ocorrendo em intervalos entre cinco e 10 anos, [...] elas podem alterar a estrutura e o funcionamento dos ecossistemas da Amazônia".
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Amazônia mostra sinais de degradação devido a mudanças climáticas (Foto: Divulgação/NASA/JPL-Caltech/GSFC)Em vermelho e amarelo, gráfico mostra as áreas mais afetadas pela seca em durante os meses de junho, julho e agosto de 2005. (Foto: Divulgação/NASA/JPL-Caltech/GSFC)

Em 2005, cerca de 30% (1,7 milhões de quilômetros quadrados) da bacia amazônica foi afetada, com mais de 5% da floresta submetida à seca, afirma o estudo. Cinco anos depois, a seca de 2010 afetou quase metade de toda a extensão da Amazônia. Os dados obtidos via satélite demonstram ainda um aumento no número de incêndios florestais e da mortandade de árvores.

Fonte: g1.globo.com/natureza.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Promessa de cura para doenças, 'vacina de sapo' está na mira da PF; Kampô é encontrado facilmente no AC


  • Divulgação/PF
    Anfíbio da espécie "Phyllomedusa bicolor", cuja secreção é usada por índios para dar sorte e curar doenças
    Anfíbio da espécie "Phyllomedusa bicolor", cuja secreção é usada por índios para dar sorte e curar doenças
A chamada "vacina de sapo" usada por povos indígenas da Amazônia está na mira da Polícia Federal. A secreção extraída de um anfíbio local chamado de "kampô" (Phyllomedusa bicolor) tem sido enviada para várias cidades do Brasil e do exterior - ela é vendida como suposta cura para as mais diversas doenças.

Por falta de comprovação científica dos supostos benefícios à saúde, desde 2004, uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe o uso, o comércio, a distribuição e a propaganda do kampô como medicamento fora das aldeias.
De olho no crescimento do comércio e exportação ilegal da secreção do sapo amazônico, a Polícia Federal (PF) desenvolveu uma nova tecnologia que pretende coibir a biopirataria da substância. Segundo informou a PF, por meio de sua assessoria, a caracterização do crime esbarra na dificuldade de identificação imediata do produto. "A secreção é uma gosma amarela, muitas vezes reservada em suportes de madeira, tubos ou lenços, e de difícil análise química por se tratar de material biológico complexo".

A técnica para identificação da "vacina de sapo" utiliza um aparelho chamado Maldi-TOF. De acordo com a PF, por ser seletiva e rápida, atende com eficiência e eficácia a atual demanda. "O tempo gasto entre a preparação da amostra e a análise dos resultados é de aproximadamente 60 minutos". O projeto da Polícia Federal no Acre, planejado e executado pelo perito criminal federal Cezar Silvino Gomes, foi premiado no último Encontro Nacional de Química Forense, promovido pela USP (Universidade de São Paulo), em 2012.

Medicinas da floresta
Oriunda da medicina tradicional indígena amazônica, a "vacina de sapo" é amplamente utilizada e conhecida entre as comunidades da região. Costuma ser aplicada pelos curandeiros da aldeia nos braços (em homens), ou nas pernas (em mulheres), para ajudar na caça e curar ‘panema’, uma espécie de depressão do índio.

As reações mais comuns de quem recebe a substância são mal-estar e náusea. Em seguida, os usuários dizem ter uma sensação de bem-estar e energia. "Usamos para falta de ânimo, para prevenir doenças e afastar o mal e o azar", explica o cacique Ni’i katukina, do Acre, que já esteve em São Paulo difundindo a "vacina".

COMO É A APLICAÇÃO DA 'VACINA'

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  • Para a aplicação da 'vacina de sapo', são feitos, com um pedaço de madeira quente, entre sete e nove orifícios no braço (no caso de homens; nas mulheres, a aplicação é na perna). A secreção do sapo amazônico é, então, inserida embaixo da pele com um canivete. Vômitos, diarreia, náusea e mal-estar são sintomas comuns. O efeito começa cerca de 30 segundos depois da aplicação e dura aproximadamente 20 minutos. Segundo a tradição indígena, o local de aplicação está relacionado às atividades da pessoa. "Os homens precisam de força nos braços para a caça, e as mulheres necessitam de pernas fortes para conseguir caminhar carregando cestos de macaxeira e os filhos", explica o cacique Ni’i katukina
Vale destacar que o uso das chamadas "medicinas da floresta" requer cuidados. Há uma diferença entre os remédios ditos naturais e os fitoterápicos. Estes últimos têm efeito comprovado, autorização da Anvisa e registro no Ministério da Saúde. No caso do kampô, apesar da proibição, seu uso ocorre livremente nos centros urbanos. Em geral, está inserido no circuito esotérico e das terapias alternativas, em alguns casos associados a outras práticas dos índios amazônicos, como a ayahuasca, substância psicoativa usada no culto religioso do santo daime.

Coquetel de substâncias
Em 2008, um homem de 52 anos morreu após uma aplicação do kambô no interior de São Paulo. "Pode ser perigoso", afirma o biólogo e pesquisador Denizar Missawa, da Universidade Guarulhos e do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (Neip).

Embora seja contrário à proibição, o biólogo alerta que a substância tem uma ação no sistema cardiovascular que merece atenção. "É um coquetel de substâncias bioativas; se isolarmos cada uma delas, vamos encontrar medicamentos que agem em diferentes sistemas fisiológicos". Para ilustrar, ele usa o exemplo de alguém que está com dor de cabeça e toma uma farmácia inteira. "Com certeza, você terá tomado um medicamento para dor de cabeça, mas também tomou outros que servem para outras doenças, o que não é saudável", compara.

O pesquisador lembra, ainda, que a forma como as populações indígenas fazem uso do kampô é bem diferente do que tem sido propagado nas grandes cidades. "As aplicações são envoltas em cuidados, como dietas alimentares e comportamentais", observa Missawa.

Projeto kampô
Entre os catuquinas, um grupo indígena da Amazônia, o uso da "vacina de sapo" pelo homem branco também gera polêmica. Antes da resolução da Anvisa, lideranças contrárias à disseminação indiscriminada do kambô já haviam encaminhado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) uma solicitação de registro de seus conhecimentos tradicionais e uma denúncia de biopirataria. O pedido mobilizou governo e pesquisadores e gerou o Projeto Kampô, que desencadeou um processo de regulamentação do acesso ao patrimônio genético.

Atualmente, se alguma substância orgânica de interesse farmacológico associada a conhecimentos tradicionais for descoberta, deve haver divisão de lucros da patente entre laboratórios e comunidades envolvidas. "O acesso ficou extremamente restrito e burocrático; ficou proibido o transporte sem as devidas alterações", diz Missawa.

O biólogo conta que, em 2003, esteve à frente de uma pesquisa pioneira junto aos índios caxinauás – que também fazem uso do kampô. O projeto, entretanto, teve que ser interrompido. "Em 2004, viramos criminosos por causa da proibição do porte de material genético", lamenta. Ele conta que a equipe teve de terminar o trabalho quase de forma ilegal, embora o foco fosse saber como a vacina age no organismo, e não o patenteamento. "Acredito que foi o primeiro estudo de caraterização fisiológica da secreção, mas até trabalhos de natureza informativa foram proibidos e não pude publicá-lo em nenhuma revista".

Tiro no pé
Para o biólogo Missawa, em vez de restringir o acesso ao kampô, o Brasil deve investir em pesquisa, afinal não é a toa que mais de duas dezenas de pedidos de patente da substância já foram feitos por laboratórios estrangeiros. "A substância presente na secreção do sapo que despertou interesse são as dermaseptinas, peptídeos com capacidade antibiótica intensa, eficaz contra inúmeros microorganismos, inclusive algumas formas resistentes de bactérias".

HOMEM MORRE APÓS 'VACINA'

Em 2008, o comerciante Ademir Tavares, de 52 anos, morreu após ter recebido a "vacina de sapo" em Pindamonhangaba, no interior de SP, aplicada por um empresário. Tavares demorou muito para voltar do banheiro, o que chamou a atenção dos presentes. Quando foram até o banheiro, encontraram-no caído, de olhos abertos e sem respirar. Foi socorrido, mas chegou morto ao hospital
Nesse sentido, ele acredita que a proibição do kampô pode ser um tiro no pé, pois mira na biopirataria, mas acerta na bioprospecção. ou seja, na exploração legal de espécies de uma determinada região. "Ficou extremamente difícil qualquer pesquisa acadêmica, mesmo sem o intuito de bioprospecção".

O biólogo, em parceria com os índios Huni Kui (Caxinauá), tentou durante três anos autorização para outro estudo das características dos efeitos imunológicos da secreção do sapo da Amazônia, através do Laboratório de Imunoquímica do Instituto Butantan. Não obteve sucesso. "A burocracia é imensa e demorada, trazendo o desinteresse por parte das instituições em pesquisar o kambô, principalmente por ter o conhecimento tradicional associado", conta.

"Deveríamos pesquisar esta substância para transformá-la em medicamentos ou alertar possíveis riscos a saúde. A proibição dificulta muito qualquer pesquisa farmacológica, além de trazer transtorno para o índio que estiver levando em sua bolsa a sua medicina tradicional", acrescenta. 
Biopirataria
Um fato reforça o argumento do biólogo quanto à ineficiência da proibição do kambô com o objetivo de combater a biopirataria. Não é difícil retirar legalmente material genético amazônico na Guiana Francesa. Quem preferir pode comprar a secreção do sapo em sites peruanos. Muito mais simples do que burlar a lei brasileira severa e burocrática. "Não acredito que exista biopirataria no Brasil, o que tem é o tráfico", afirma Missawa.

De fato, centros alternativos nas grandes metrópoles promovem o tratamento com a "vacina de sapo" cobrando, em média, 100 reais por aplicação. "Uma paleta possibilita umas 100 aplicações, e considerando que para o índio ou ribeirinho ela é retirada gratuitamente da natureza e subtraindo-se a passagem de avião, ainda sobra um lucro considerável, que às vezes é dividido entre o aplicador e a instituição que promoveu o tratamento", detalha o pesquisador.

Também é comum no interior do Acre, em Cruzeiro do Sul, Tarauacá e ao longo da BR 364, encontrar pessoas vendendo uma paleta com a secreção do sapo por um preço baixo. O "terapeuta alternativo" compra, transporta para a metrópole e obtém o lucro total nas aplicações.

Não é de se espantar, portanto, que a "vacina de sapo" já tenha chegado à Europa e aos EUA, embora ainda de forma discreta. "Está relacionada ao circuito da ayahuasca e das terapias alternativas, mas são basicamente iniciativas individuais, não institucionalizadas", diz a antropóloga Beatriz Labate, professora visitante do Programa de Política de Drogas do Centro de Pesquisa e Ensino Econômico - Cide, em Aguascalientes, no México.

Fonte: Portal Uol

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Reduzir gases-estufa a partir de 2016 evitaria secas e enchentes, diz estudo


Milhões de pessoas podem ser poupadas de secas e enchentes até 2050 se houver uma redução das emissões de gases do efeito estufa a partir de 2016 em vez de 2030, de acordo com estudo científico publicado neste fim de semana na revista "Nature Climate Change".

Especialistas britânicos e alemães explicaram que a redução imediata nas emissões poderia retardar alguns impactos por décadas e prevenir outros por completo.

Em 2050, um planeta se encaminhando para um aquecimento entre 2º C e 2,5º C, pode ter em 2100 duas possibilidades muito distintas, dependendo do caminho que se tome para chegar até lá.

Políticas que reduzam as emissões de carbono em 5% por ano até 2016 poupariam a exposição de até 68 milhões de pessoas a um maior risco de escassez de água em 2050, segundo Nigel Arnell da Universidade de Reading, do Reino Unido. Esse seria o melhor cenário possível.

Por outro lado, se as emissões caírem 5% anualmente a partir de 2030, o número de pessoas que escapariam desse risco ficaria entre 17 milhões e 48 milhões.

No cenário da redução a partir de 2016, entre 100 milhões e 161 milhões de pessoas poderiam ser poupadas de inundações. Já no cenário de 2030, o número de pessoas que se livrariam de enchentes ficaria entre 52 milhões e 120 milhões, indicou Arnell, diretor do Instituto Walker de mudanças climáticas da universidade britânica.

"Basicamente, em 2050, a política de 2030 teria entre metade e dois terços dos benefícios da melhor política (2016)", embora ambas apontem para uma mudança de temperatura similar, com elevações entre 2º C e 2,5º C em 2100. "Você pode atingir o mesmo ponto (de temperatura) no fim do século, mas os danos causados no caminho até esse ponto podem ser muito diferentes", complementa.

Chaminé de indústria na China (Foto: JF Creative / Image Source / AFP)Chaminé de indústria na China; cientistas afirmam que redução de emissões a partir de 2016 pode diminuir impacto de secas e enchentes nos proximos anos (Foto: JF Creative / Image Source / AFP)
 
Sem redução de emissões = cenário trágico
Em um cenário sem restrições nas emissões, as temperaturas poderiam aumentar entre 4º C e 5,5º C, de acordo com a pesquisa. Com uma média de aquecimento global de 4º C, cerca de um bilhão de pessoas poderiam ter menos água em 2100 do que têm hoje, e 330 milhões poderiam ser submetidas a grande risco de enchentes.

Uma redução nas emissões em 2016 parece improvável, com as nações buscando adotar um novo pacto global sobre o clima em 2015 para entrar em vigor até cinco anos depois.

A última rodada das Nações Unidas de debates sobre o clima em Doha, no Qatar, em dezembro, fracassou na tentativa de impor antes de 2020 cortes nas emissões de países que não haviam assinado o Protocolo de Kyoto, ainda que cientistas tenham alertado que a concentração de carbono na atmosfera continua aumentando. Três dos quatro maiores poluidores do mundo - China, Estados Unidos e Índia - estão entre os que não se comprometeram a limitar as emissões.

Diversos pesquisadores acreditam que a Terra terá um aquecimento muito além dos 2º C da meta da ONU em níveis pré-industriais. "Claro que reduzir a emissão de gases-estufa não vai impedir por completo os impactos do aquecimento global, mas nossa pesquisa pode dar tempo para a elaboração de prédios, sistemas de transporte e de agricultura melhor adaptados às mudanças climáticas", disse Arnell.
 
Relatório da ONU fez alerta sobre poluição em excesso
Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgado em novembro alerta que, mesmo se os países aplicarem até 2020 políticas públicas que ajudem a reduzir a emissão de gases de efeito estufa, o limite máximo proposto pelos cientistas para aquela data terá sido ultrapassado.

Esse limite representa para a ciência climática estagnar a elevação da temperatura global em, no máximo, 2 ºC acima dos níveis pré-industriais ainda neste século. Segundo o documento, mesmo que todos os países cumpram nos próximos oito anos o que foi prometido em acordos climáticos firmados em conferências da ONU, eles ainda emitiriam 8 bilhões de toneladas (gigatoneladas) de gases a mais que o limite proposto para 2020.

O teto de emissões fixado por cientistas para 2020 é de 44 gigatoneladas de CO2 equivalente (medida que soma a concentração de dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e outros gases).

No entanto, há um cenário pior, caso nada seja feito. Se nos próximos oito anos nenhum governo cumprir o que prometeu e as políticas verdes deixarem de ser vistas como prioridade - acrescentando ainda o desenvolvimento econômico previsto para o período, as emissões de gases ultrapassariam em 14 gigatoneladas o limite calculado pelos cientistas.


*Com informações da France Presse

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Exposição ao mercúrio ameaça saúde de mais de 10 milhões, diz ONU

Comunidades de países em desenvolvimento estão enfrentando maiores riscos sanitários e ambientais vinculados à exposição ao mercúrio, alertou o Programa das Naçoes Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), em comunicado divulgado na sexta-feira (11).

“O mercúrio se mantém como um grande desafio global, regional e nacional em termos de ameaça à saúde humana e ao meio ambiente”, afirmou o diretor do Pnuma, Achim Steiner.

De acordo com ele, partes da África, Ásia e América do Sul podem ver um aumento dos níveis de mercúrio no meio ambiente, em decorrência do uso do metal pesado no garimpo em pequena escala e na queima de carvão para geração de eletricidade.

A exposição “representa uma ameaça direta para a saúde de dez a 15 milhões de pessoas diretamente envolvidas na mineração do ouro em pequena escala, nesses três continentes”, informou o Pnuma.

O anúncio se antecipa a uma grande conferência sobre o mercúrio, que ocorre em Genebra na próxima semana, com o objetivo de concluir as discussões sobre um tratado global para minimizar os riscos da exposição ao mercúrio.

Trabalhadores de garimpos são expostos à mercúrio (Foto: Divulgação/UNEP-ONU/arlgold.com )Trabalhadores de garimpos são expostos à mercúrio (Foto: Divulgação/UNEP-ONU/arlgold.com )

Os novos relatórios do Pnuma, que serão divulgados em Genebra, revelam que as emissões de mercúrio decorrentes da mineração artesanal dobraram desde 2005, devido à elevação dos preços do ouro, entre outros motivos.

O diretor do programa disse ainda que um estudo realizado pelo Instituto Blacksmith, grupo com sede em Nova York que limpa locais contaminados, revela que um dispositivo de US$ 10,00 (equivalente a R$ 20,00) pode ser usado para aprisionar 90% ou mais do mercúrio usado no garimpo.

As principais barreiras ao uso destes métodos mais seguros são as condições socioeconômicas e a baixa conscientização dos riscos vinculados ao mercúrio, destacou o Pnuma.

“Nos últimos 100 anos, as emissões antrópicas dobraram a quantidade de mercúrio encontrada a cem metros de profundidade nos oceanos do mundo. Concentrações em águas mais profundas aumentaram 25%”, acrescentou a agência, destacando que grande parte da exposição humana ao mercúrio se deve ao consumo de peixe contaminado.

Estudos recentes afirmam que espécies que vivem no Ártico, como o urso polar, focas e crustáceos, precisam se adaptar ao constante degelo ou podem desaparecer para sempre devido ao aumento da temperatura do planeta. (Foto: Danile Beltra/Greenpeace/AFP) 
Houve um aumento nos níveis de mercúrio no Ártico,
diz relatório (Foto: Danile Beltra/Greenpeace/AFP)
 
O envenenamento por mercúrio afeta o sistema imunológico e pode levar a problemas como distúrbios psicológicos, perda dos dentes e disfunções nos tratos digestivo, cardiovascular e respiratório.

Os informes também destacam um aumento nos níveis de mercúrio no Ártico, onde 200 toneladas da substância são depositadas todos os anos.

“Devido à rápida industrialização, a Ásia é o maior emissor regional de mercúrio e responde por quase metade de todas as emissões globais”, destacou o comunicado do Pnuma.

O Comitê de Negociação Internacional sobre o Mercúrio ocorre entre 13 e 18 de janeiro em Genebra. Os novos estudos da ONU representam o primeiro relatório global das emissões de mercúrio em rios e lagos.

Fonte: g1.globo.com/natureza.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Desmatamento reduz diversidade de bactérias na Amazônia, diz estudo

Um estudo realizado em conjunto por pesquisadores brasileiros e americanos aponta que a destruição da floresta amazônica e sua transformação em pasto reduz a diversidade das comunidades de bactérias no solo, o que pode trazer impactos ambientais negativos.

A pesquisa foi publicada no fim de dezembro pelo prestigiado periódico "Proceedings of the National Academy of Sciences". Entre as instituições responsáveis pelo levantamento estão a Universidade de São Paulo (USP), a Embrapa e o Centro de Energia Nuclear na Agricultura, além da Universidade do Texas, em Arlington, a Universidade do Oregon e a Universidade de Massachusetts, as três nos EUA.

Região da floresta amazônica no Mato Grosso devastada para criação de pasto (Foto: Werner Rudhart/Arquivo/AFP)Região da Amazônia devastada para criação de pasto, no Mato Grosso (Foto: Werner Rudhart/Arquivo/AFP)

Assim como as espécies de animais e plantas, as bactérias reagem ao desmatamento, mas de maneira diferente, apontam os pesquisadores. Em um primeiro momento ocorre um aumento no número de espécies, mas as comunidades microbianas se tornam mais semelhantes ao longo da área devastada.
 
Essa "homogeneização", como é chamado o efeito, ocorre pela perda de micro-organismos endêmicos da floresta, entre outros fatores.

Vivian Pellizari, Professora da USP e uma das autoras da pesquisa, diz que o "crescimento taxonômico" das bactérias, isto é, o aumento no número de espécies, vem junto com uma "perda funcional", ou seja, uma redução nas espécies nativas, que atuam, por exemplo, nos ciclos de nutrientes do solo e na reciclagem de matéria orgânica.

"O número das espécies no solo de pastagem encontrado foi até maior, mas as espécies são menos relacionadas umas às outras do que na floresta", diz a professora. "A combinação da perda das espécies que havia inicialmente na mata e a homogeneização é um sinal que o sistema pode perder a capacidade de lidar com o estresse ambiental".

Um dos exemplos são as acidobactérias, que representam 21% do total de micro-organismos encontrados pelos cientistas na floresta. Em áreas de pasto, o grupo foi reduzido e passou a representar 13,4% da vida microbiótica no solo.

Greenpeace documenta área de desmatamento no município de Lábrea no sul do Amazonas (Foto: Greenpeace / Marizilda Cruppe) 
Região de mata devastada no município de Lábrea,
no AM (Foto: Greenpeace / Marizilda Cruppe)
 
Efeitos desconhecidos
Vivian diz que os efeitos da redução da biodiversidade microbiana ainda são desconhecidos. Eles vão ser levantados em uma nova pesquisa, a ser publicada em breve pelo grupo de cientistas.

Algumas hipóteses, afirma a professora, são alterações nos ciclos de nutrientes, como o ciclo do carbono e o do nitrogênio. Pode haver empobrecimento do solo e reflexos negativos no ecossistema. "Pode ser prejudicial até para o plantio e para a agricultura. A gente não sabe muito bem [os efeitos], ainda precisa ser estudado", avalia.

As comunidades de bactérias são essenciais para a manutenção da floresta, avalia Vivian.  "Os ciclos relacionados à saúde do solo têm nos micro-organismos os atores principais, para a conversão de substratos e manutenção do equilíbrio".
 
Seis brasileiros
No total, 13 cientistas participaram da pesquisa, sendo seis deles brasileiros. As amostras foram coletadas de uma fazenda de Rondônia. É a primeira vez que são levantados dados sobre a vida microbiana na Amazônia em uma escala maior, ressalta a professora. Antes, apenas estudos com amostras limitadas haviam sido realizados.

Vivian aponta que a recuperação da floresta em áreas de pastagem pode trazer de volta a diversidade microbiana, mas ressalta a necessidade de mais pesquisas sobre o tema. "Os resultados têm mostrado que a parte funcional tem essa tendência de retornar com a floresta secundária, quando a floresta é recuperada", pondera.
 
Fonte: g1.globo.com/natureza.

domingo, 6 de janeiro de 2013

A todos os leitores deste blog: Feliz 2013!

Foto: Diego Gurgel
Foto: Diego Gurgel - Réveillon na Av. Amadeo Barbosa em Rio Branco-AC


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Vida marinha: Aumento da população de águas-vivas é temporário, afirmam pesquisadores americanos


População de águas-vivas está em alta (Foto: Mathieu Pujol / Biosphoto / AFP)População de águas-vivas está em alta (Foto: Mathieu Pujol / Biosphoto / AFP)

Um estudo internacional publicado recentemente mostra que o aumento na população das águas-vivas, percebido ao longo dos últimos anos, faz parte de um ciclo natural e não é uma tendência definitiva.

Recentemente, relatos de águas-vivas presas em redes de pescadores, canos de resfriamento de usinas e até mesmo de ataques a turistas se tornaram cada vez mais comuns em vários pontos do mundo. Isso levou a equipe liderada por Robert Condon, do Laboratório Marinho de Dauphin Island, nos Estados Unidos, a conduzir um estudo mais amplo e obter uma verdadeira dimensão da população do animal.
Os cientistas descobriram que a população de águas-vivas passa por flutuações, aumentando e diminuindo de tempos em tempos. Eles mostraram que, na década de 1970, havia ocorrido um pico semelhante ao atual, mas que não chamou a atenção porque as informações não circulavam tanto quanto hoje – ainda não havia a internet, por exemplo.

Nos próximos anos, os pesquisadores querem continuar monitorando a população do animal para determinar se as variações continuam dentro do normal. Eles ressaltam que o trabalho tem impacto econômico, pela maneira como as águas-vivas afetam o turismo e a pesca.
O estudo foi publicado pela “PNAS”, a revista científica da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

Fonte: g1.globo.com/natureza.

Catedral da praça das Armas em Cuzco-Peru


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Desmatamento na Amazônia sobe 129%; Acre está fora da lista dos estados campeões em queimadas


O desmatamento da floresta amazônica cresceu 129% nos últimos quatro meses deste ano, em comparação com o mesmo período de 2011, segundo dados divulgados na última semana pela ONG Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

De agosto a novembro de 2012, 1.206 km² de vegetação da Amazônia Legal foram destruídos, aponta o Imazon. É praticamente a mesma extensão da cidade do Rio de Janeiro, e mais do que os 527 km² devastados no mesmo período de 2011.

Órgãos ambientais interrompem 30 desmatamentos no Pará. (Foto: Nelson Feitosa / Divulgação)Desmatamento atinge região de floresta amazônica no Pará (Foto: Nelson Feitosa / Divulgação)

A ONG usa dados de satélite para fazer um levantamento independente da destruição da Amazônia, o chamado Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD). As informações são diferentes das fornecidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que faz o levantamento usado pelo governo federal. Por isso, os dados não podem ser comparados.

O estado em que ocorreu maior desmatamento, no período, foi o Pará (51% do total desmatado). Em seguida estão Mato Grosso (21%), Rondônia (13%) e Amazonas (12%). Foram destruídos 613 km² de floresta só no Pará, de acordo com o Imazon.

 
Aquecimento no desmate
Para o pesquisador do Imazon, Heron Martins, a detecção mostra que "pode ter ocorrido um aquecimento no desmate" nos últimos meses, mesmo com anúncios recentes de queda na devastação da Amazônia.

"Nos quatro meses, no acumulado, estamos muito acima do que ficou no acumulado do ano passado", pondera Martins. "Isso já foi reportado principalmente para as autoridades do Pará, em algumas reuniões com governo e com municípios", afirma.

Uma das razões apontadas pelo pesquisador para o aumento no desmate no território paraense é o asfaltamento da rodovia BR-163, que forna mais fácil o acesso tanto por motoristas quanto por exploradores de madeira ilegal na região do oeste do estado. "O asfalto em si não é o problema, mas a obra sem fiscalização facilita o acesso por parte de quem vai desmatar", diz Martins.

Grande parte do desmatamento na Amazônia ocorre de julho a outubro, meses de maior seca, segundo o pesquisador. A partir de novembro, a chuva dificulta a extração ilegal da madeira, o que não significa que a destruição da mata desapareça. "Existem casos em que continua havendo desmatamento, nestes outros períodos", diz Martins.

Faixa de floresta tropical devastada próximo ao Parque Nacional da Amazônia (Foto: Nacho Doce/Reuters) 
Imagem mostra mata preservada e área devastada
na Amazônia (Foto: Nacho Doce/Reuters)
Novembro

Considerando apenas novembro, foram detectados 55 km² de desmatamento na Amazônia Legal, segundo o Imazon. É mais do que a devastação ocorrida no mesmo mês em 2011, quando 16 km² da floresta foram perdidos. Os dados, no entanto, estão comprometidos devido à cobertura de nuvens neste mês, o que prejudicou o registro do satélite, afirma a ONG.

Para Martins, o desmatamento também está ligado à redução de sete Unidades de Conservação ambiental no país. A construção de hidrelétricas motivou a redução da área de cinco, dessas sete. "Além do fato em si, de reduzir a área protegida, isso gera expectativa de que outras unidades de conservação podem ser diminuídas", o que motiva madeireiros ilegais e outros agentes da devastação da floresta, diz o pesquisador.

Desmatamento Amazônia 2012 (Foto:  )
Balanço anual

Segundo o monitoramento anual do Inpe, o chamado Prodes, foram desmatados 4.656 km² da Amazônia no período de agosto de 2011 e julho de 2012, mais de três vezes o tamanho da capital paulista. A área desmatada é 27% menor que a registrada anteriormente, entre agosto de 2010 e julho de 2011 (6.418 km²). Foi a menor taxa desde que o Inpe começou a fazer a medição, em 1988.

Segundo o governo federal, a estimativa possui margem de erro de 10%, e os dados finais do levantamento devem ser divulgados no próximo ano. As informações do Prodes consolidam dados coletados ao longo de um ano por satélites capazes de detectar regiões desmatadas a partir de 6,25 hectares.

São computadas apenas áreas onde ocorreu remoção completa da cobertura florestal – característica denominada corte raso. Segundo o Ibama, entre agosto de 2011 e julho de 2012 foram registrados 3.456 autos de infração na região da Amazônia Legal.
Fonte: g1.globo.com/natureza

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Mordida de piranha é mais 'forte' que de tiranossauro e tubarão, diz estudo

Com os músculos da mandíbula superdesenvolvidos, capazes de exercer uma força equivalente a 30 vezes o seu peso, a piranha negra (Serrasalmus rhombeus) é uma máquina de morder que deixa no "chinelo" o restante do reino animal.

O grande tubarão branco, a hiena e o crocodilo têm dentes muito afiados, mas, se a mordida deles for relacionada com a massa e o tamanho dos bichos, o campeão disparado é mesmo a piranha negra.

A força da mordida dela chega a 320 Newtons, quase três vezes mais que a exercida por um crocodilo do mesmo tamanho.

Piranha negra (Foto: National Geographic Society/Nature Scientific Reports)Dr. Justin Grubich, da Universidade Americana do Cairo, no Egito, segura exemplar de piranha negra pego em uma expedição ao Rio Xingu, na Amazônia (Foto: National Geographic Society/Nature Scientific Reports)

Esse peixe tropical supera, inclusive, monstros pré-históricos como o tiranossauro e o megalodonte, ancestral gigante do tubarão branco, segundo estudo publicado na revista "Nature Scientific Reports".

Os cientistas arriscaram seus dedos para capturar 15 piranhas negras em um braço do Rio Amazonas e usar nelas um aparelho de medição de mandíbulas.

Piranha negra (Foto: National Geographic Society/Nature Scientific Reports)Pesquisadores americanos Steve Huskey e Justin Grubich avaliam a força da mordida de uma piranha negra durante expedição ao Rio Xingu, na Amazônia (Foto: National Geographic Society/Nature Scientific Reports)
 
Os peixes, que mediam de 20 a 37 centímetros de comprimento, "prestaram-se de boa vontade ao jogo, praticando mordidas defensivas", disseram os biólogos.

"Ainda que as anedotas referentes a vítimas reduzidas a esqueletos em águas infestadas de piranhas sejam geralmente exageradas, as eficácia da mordida desses animais não é", acrescentaram os autores, citando casos em que esses animais carnívoros cortaram de uma vez ossos de dedos humanos e os comeram.

Piranha negra (Foto: Steve Huskey/Nature Scientific Reports)Esqueleto de piranha negra mostra os dentes em detalhes (Foto: Steve Huskey/Nature Scientific Reports)
 
Fonte: g1.globo.com/natureza.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Furacões no Ártico influenciam clima e circulação da água polar, diz estudo


Cientistas americanos e britânicos relatam a primeira evidência conclusiva de que os furacões no Ártico, conhecidos como "baixas polares", exercem um papel importante sobre o clima e a circulação da água nesse oceano.

A descoberta foi possível graças à criação do primeiro modelo de alta resolução para estudar os efeitos climáticos causados por esse fenômeno. Os resultados dos pesquisadores da Universidade de Massachusetts em Amherst, nos EUA, e da Universidade de Anglia do Leste, no Reino Unido, estão descritos na edição deste domingo (16) da revista "Nature Geoscience".

Esses furacões apresentam um "olho" central de baixa pressão e podem provocar fortes ventos e ondas de quase 11 metros de altura, capazes de afundar pequenos navios e cobrir plataformas com um gelo espesso, ameaçando a exploração de petróleo e gás na região.

Furacão Ártico baixa polar (Foto: Courtesy of NEODAAS Dundee Satellite Receiving Station)Tempestade polar gera ventos com força de furação sobre o Atlântico Norte, mas têm tamanho pequeno, razão pela qual fica de fora de mapas (Foto: Courtesy of NEODAAS Dundee Satellite Receiving Station)
 
Segundo os autores, o modelo analisou a força dos ventos dessas tempestades e aponta para condições climáticas potencialmente mais frias na Europa e na América do Norte neste século do que outros trabalhos já previram.

O geocientista americano Alan Condron e o colega britânico Ian Renfrew explicam que, todos os anos, milhares de ciclones como esses ocorrem nas áreas polares do Atlântico Norte, mas nenhum modelo moderno havia conseguido simular isso, o que tornava difícil verificar, de forma confiável, as alterações na Europa e na América do Norte nas próximas duas décadas.

"Antes de as baixas polares serem vistas pela primeira vez por satélites, marinheiros frequentemente voltavam do Ártico com histórias de encontros com tempestades violentas que pareciam surgir do nada. Por causa do pequeno tamanho delas, muitas vezes ficavam de fora dos mapas meteorológicos", diz Condron, que atua na área de oceanografia física.

Os cientistas explicam que, ao retirar calor do oceano, as baixas polares favorecem que a água mais fria e densa do Atlântico Norte afunde, o que impulsiona uma circulação oceânica chamada termoalina, que transporta o calor para Europa e a América do Norte.

A descoberta também contradiz o que modelos climáticos antigos indicavam: que o calor se movia do norte em direção aos polos. Outras pesquisas têm apontado ainda que o número de baixas polares deve diminuir em um período de 20 a 50 anos.

"Se isso for verdade, poderemos ver um enfraquecimento da circulação termoalina, que pode ser capaz de compensar parte do aquecimento previsto para a Europa e a América do Norte em um futuro próximo", diz Condron.

Fonte G1

sábado, 15 de dezembro de 2012

Relatório vazado na internet reafirma influência humana sobre o aquecimento global


Os cientistas especializados em clima estão mais certos do que nunca de que os humanos são responsáveis pelo aquecimento global, pela elevação dos níveis das marés e pelos casos de clima extremo, de acordo com um relatório preliminar feito por um painel de especialistas.

O documento preliminar, que foi vazado na internet e ainda pode ser modificado antes da divulgação da versão final, em 2013, mostrou que o aumento nas temperaturas médias globais desde a era pré-industrial deve exceder os 2ºC até 2100, e pode chegar a 4,8ºC.

"É extremamente provável que as atividades humanas tenham causado mais da metade do aumento observado na média global das temperaturas da superfície desde os anos 1950", diz o relatório preliminar do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC).

Na linguagem usada pelo IPCC, "extremamente provável" significa um nível de certeza de ao menos 95%. O nível seguinte é "praticamente certo", ou 99%, a maior certeza possível para os cientistas.

O relatório anterior do IPCC, de 2007, informou que havia uma certeza de ao menos 90% de que as atividades humanas, principalmente a queima dos combustíveis fósseis, eram a causa do aumento das temperaturas. O documento preliminar apareceu em um blog cético à mudança climática.

O IPCC informou que o post prematuro e não autorizado com o documento poderá provocar confusão, porque o relatório ainda estava sendo feito e provavelmente mudaria antes de sua divulgação.

Uma conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) na semana passada, destinada a reduzir as emissões de gases de efeito estufa, não produziu avanço signicficativo. Três países - Canadá, Rússia e Japão - abandonaram o Protocolo de Kyoto e seus limites às emissões.

Degelo na Groenlândia pode não impactar tanto a elevação do nível do mar, afirmam cientistas (Foto: Divulgação/Ian Joughin/Science)Degelo da calota polar  na Groenlândia  (Foto: Divulgação/Ian Joughin/Science)

Os EUA nunca ratificaram o pacto. O Protocolo também exclui os países em desenvolvimento, onde as emissões aumentam com maior rapidez.

Um grupo de países concordou em estender o Protocolo de Kyoto até 2020, mas o conjunto é responsável por menos de 15% das emissões mundiais de gases-estufa. As nações em desenvolvimento afirmaram que pressionarão, no ano que vem, por um mecanismo radical da ONU que os compense pelo impacto da mudança climática.

O IPCC afirmou ter um alto grau de confiança de que a atividade humana tenha causado as mudanças em larga escala nos oceanos, nas placas de gelo ou nas geleiras das montanhas e nos níveis dos oceanos na segunda metade do século 20, de acordo com o relatório preliminar. O documento afirma que os casos de clima extremo também mudaram em razão da influência humana.
Ameaça às cidades
O relatório prevê cenários com um aumento nas temperaturas entre 0,2 e 4,8ºC neste século - uma faixa mais estreita do que em 2007. Mas, em quase todos os cenários, o aumento seria maior do que 2ºC.
Em 2010, governos de vários países prometeram tentar conter o aumento global de temperaturas em mais de 2ºC, considerado pelos cientistas o limite máximo a fim de evitar mais climas extremos, secas, inundações e outros impactos da mudança climática.

As concentrações de dióxido de carbono na atmosfera eram as mais altas em 800 mil anos, segundo o relatório preliminar. O documento também afirma que os níveis dos oceanos devem subir para entre 29 e 82 centímetros até o fim do século - em comparação com os 18 a 59 centímetros projetados no relatório de 2007.

O aumento no nível dos oceanos pode ameaçar os habitantes de áreas de baixa altitude, de Bangladesh às cidades de Nova York, Londres e Buenos Aires. O fenômeno aumenta o risco de ondas de tempestades, erosão na costa e, no pior dos casos, a inundação completa de grandes áreas de território.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Desmate da Amazônia gera mais CO2 que total de carros do país, diz Imazon


Mesmo com o registro de queda recorde no desmatamento da Amazônia Legal deste ano,  os efeitos da destruição da mata persistem, como a emissão de CO2, afirma Paulo Barreto,  pesquisador sênior do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Em uma estimativa, o pesquisador avalia que o desmate entre 2011 e 2012 tenha levado à liberação de 245,3 milhões de toneladas de CO2 no ar, mais que o dobro de todas as emissões do gás por carros e veículos de passeio leves (121,6 milhões de toneladas) no Brasil no mesmo período.

Barreto fez o cálculo com base no monitoramento anual feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que indica que de agosto de 2011 a julho de 2012 houve o desmatamento de 4.656 km² de floresta, área equivalente a mais de três vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente no fim de novembro.
Greenpeace documenta área de desmatamento no município de Lábrea no sul do Amazonas (Foto: Greenpeace / Marizilda Cruppe) 
Área de desmatamento no município de Lábrea, no sul do Amazonas (Foto: Greenpeace / Marizilda Cruppe)

O tamanho do desmatamento é 27% menor que o registrado anteriormente, no período entre agosto de 2010 e julho de 2011 (6.418 km²). Foi a menor taxa desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou a fazer a medição, em 1988.

Além do Prodes, Barreto levou em conta previsões do Imazon sobre a emissão de CO2 por km² de floresta destruída e dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), de outubro de 2012, que apontam a existência de 41,9 milhões de carros e veículos leves no país.
O levantamento foi apresentado no 6º Encontro do Fórum Amazônia Sustentável, realizado na última semana em Belém (PA).

O pesquisador afirma que o cálculo das emissões por veículos desconsiderou que existem carros movidos a álcool e outros combustíveis que não gasolina, o que indica que o valor relativo aos veículos está superestimado. Foram desconsiderados caminhões e motos. "Se você incluir o etanol, a comparação seria ainda pior para o lado do desmatamento", pondera.

Barreto diz ter feito a conta "considerando, em média, que eles [os veículos] rodam 30 mil km por ano". Em média, cada veículo emite 2,9 toneladas de CO2 equivalente, levando em conta apenas os movidos a gasolina, de acordo com os cálculos do pesquisador.
 
Milhões de árvores
Barreto estima ainda que, no período avaliado (de agosto de 2011 a julho de 2012), foram derrubadas 232,8 milhões de árvores na Amazônia - o que equivale a cortar mais de uma árvore por habitante do país.
O filhote de caiarara aparece agarrado à sua mãe apenas uma semana após seu nascimento no zoológico Ramat Gan Safari, em Telavive (Israel). A espécie vive no norte da Amazônia brasileira, bem como em países vizinhos na região, como as Guianas e a Venezuel (Foto: AFP) 
Macacos caiarara, espécie do norte da Amazônia
brasileira, em zoológico de Israel (Foto: AFP)
Além disso, foram afetados pelo desmatamento cerca de 8,3 milhões de aves e 270 mil macacos, segundo Barreto. Para chegar ao número de animais atingidos, o pesquisador disse ter usado previsões que constam em um estudo do Museu Paraense Emílio Goeldi.
Comemorar, mas nem tanto
"Acho que tem que comemorar que o desmatamento caiu 27%, mas o número restante ainda é muito alto", afirmou o pesquisador. Para ele, a destruição da floresta amazônica não está contida.
Para o pesquisador, é essencial ampliar medidas bem-sucedidas para proteger a floresta amazônica, como "melhorar a eficácia da fiscalização" e "demarcar e vigiar as unidades de conservação e as terras indígenas". A fiscalização deve agir principalmente "por meio do confisco de bens e equipamentos envolvidos em atividades ilegais", ponderou Barreto no levantamento.
Desmatamento Amazônia 2012 (Foto:  )
Segundo o governo federal, a estimativa de 4.656 km² de desmatamento indicada pelo Prodes possui margem de erro de 10%, e os dados finais do levantamento devem ser divulgados no próximo ano.

As informações do Prodes consolidam dados coletados ao longo de um ano por satélites capazes de detectar regiões desmatadas a partir de 6,25 hectares. São computadas apenas áreas onde ocorreu remoção completa da cobertura florestal – característica denominada corte raso.

Desmatamento por estados
Dados do Inpe apontam que, no período avaliado, o Pará foi o estado que mais desmatou a Amazônia. Em um ano, foi responsável por devastar mais de um terço da área desmatada registrada pelo sistema Prodes (1.699 km²).

Mato Grosso foi o segundo estado que mais devastou a floresta (777 km²), seguido de Rondônia (761 km²), Amazonas (646 km²), Acre (308 km²) e Maranhão (267 km²). Completam a lista Roraima (114 km²), Tocantins (53 km²) e Amapá (31 km²).

De acordo com o Ibama, entre agosto de 2011 e julho de 2012 foram registrados 3.456 autos de infração na região da Amazônia Legal.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Custos sociais de Belo Monte chegam a R$ 1 bilhão, diz estudo

Os custos sociais da construção da usina de Belo Monte, no Pará, são estimados em cerca de US$ 502,7 milhões, segundo estudo do professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), de São José dos Campos (SP),  Wilson Cabral de Sousa Júnior, especialista em análise de impactos ambientais.

A cifra, que equivale a R$ 1 bilhão em valores atuais, é atribuída no estudo a fatores de degradação que vão ser causados pelas obras, como perda da qualidade da água, da atividade pesqueira tradicional e ornamental, prejuízos com turismo e o custo da emissão de CO2 e de metano na atmosfera.

A pesquisa foi publicada no relatório "O Setor Elétrico Brasileiro e a Sustentabilidade no Século 21: Oportunidades e Desafios", entregue no 6º Encontro do Fórum Amazônia Sustentável, que acontece em Belém (PA) até a próxima sexta-feira (7). O relatório havia sido divulgado inicialmente em novembro, e foi preparado por organizações como o WWF, a ONG International Rivers e o Instituto Socioambiental (ISA), além de pesquisadores de questões ambientais.

A previsão de custo social de Belo Monte, de R$ 1 bilhão, equivale ao gasto total do Ministério da Educação com assistência aos estudantes de universidades federais nos últimos cinco anos, segundo o site da pasta. Entre os fatores avaliados, o que mais pesa é o valor das emissões de carbono, afirmou o professor do ITA. 

A Norte Energia ressaltou ainda que os investimentos para compensação dos impactos sociais, econômicos e ambientais estimados pela empresa para Belo Monte são da ordem de R$ 3,2 bilhões, incluindo "reforma e ampliação das redes de ensino e de saúde, geração de renda e emprego, regularização fundiária e relocação de famílias", entre outras ações.

A companhia disse ainda que todos os fatores mencionados pelo professor do ITA em seu levantamento foram considerados no dimensionamento dos impactos da usina.
Perspectiva divulgada pela Norte Energia de como ficará a Casa de Força principal da usina de Belo Monte (Foto: Divulgação/Norte Energia)Perspectiva divulgada pela Norte Energia de como ficará a Casa de Força principal da usina de Belo Monte (Foto: Divulgação/Norte Energia)
Subestimado
O cálculo de R$ 1 bilhão em custos ambientais está subestimado, aponta o pesquisador do ITA. “Ele está correto para as premissas da análise, porém o custo socioambiental pode ser muito maior a partir de valores que não calculamos", disse. Ele cita a perda de biodiversidade como um dos fatores que não foram incluídos na conta. Outras variáveis que não foram levadas em consideração são os valores da terra inundada e o deslocamento da população local.

Para Sousa Júnior, as medidas de compensação das obras “cobrem parcialmente” os danos que vão ser causados por Belo Monte, e não vão ser suficientes. “Há danos que podem ser irreversíveis, como a perda de habitats aquáticos”, disse.

Sem certezas
Para o diretor do Programa Amazônia da International Rivers, Brent Millikan, a construção de Belo Monte deve ter um custo social grande. "Tem uma série de impactos que essa população pode sofrer. Na realidade a gente não sabe, tem incertezas. Teve muitas dúvidas sobre esta questão na época que estava se discutindo a concessão ou não da licença prévia, ou seja, se o empreendimento tinha viabilidade ambiental ou não", afirma.

Millikan cita a população que está na região da Volta Grande do Rio Xingu, que podem “ficar numa situação muito ruim", na sua avaliação, com um provável desvio do curso do rio. "O rio vai ficar numa seca permanente, 80% do seu fluxo deve ser desviado", afirma.

Questionada, a Norte Energia nega que vá alterar o curso do Rio Xingu, e diz que a “empresa se comprometeu a garantir a vazão indicada nos estudos ambientais para cada período do ano”.
 
Fonte G1

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Cobra é flagrada devorando gnu na África do Sul

Tamanho da presa é incomum pelo que se conhecia do réptil.
Imagem foi feita no Parque Kruger, no nordeste do país.


Cobra come filhote de gnu (Foto: Caters)Foto de Rudi Hulshof mostra o momento em que a cobra expande sua mandíbula para devorar o gnu (Foto: Caters)

Uma foto divulgada pela agência Caters mostra o momento em que uma cobra píton devora um filhote de gnu no Parque Kruger, na África do Sul. Os gnus são um tipo grande de antílopes que vivem na porção mais ao sul do continente africano. Eles habitam as savanas e formam grandes grupos.

Segundo a agência, a imagem é rara porque se considerava que esse tipo de serpente normalmente se alimenta de animais muito menores. O autor da foto é Rudi Hulshof.

Cobra come filhote de gnu (Foto: Caters)Detalhe do flagrante feito no Parque Kruger (Foto: Caters)
 
Fonte: G1

 

 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Machu Pichu: Uma das sete maravilhas do mundo

 
No dia 1º de dezembro visitei a cidade sagrada dos Incas, no Peru. Impressionante poder ver a tecnologia empregada para a construção da cidade erguida toda sobre pedras. Machu-Pichu, uma das sete maravilhas do mundo.